Brazil
October 13, 2026

A inteligência artificial está transformando o mercado de trabalho em uma velocidade sem precedentes. Mas, segundo o diretor de Relações com o Mercado da GOL JOB BRASIL, Eleri Hamer, o principal risco para os profissionais não é serem substituídos diretamente pela IA, mas por pessoas que saibam utilizá-la melhor.
O tema foi abordado durante a palestra “Na era da IA, o que ainda nos torna insubstituíveis?”, ocorrida durante o XXIII Congresso Brasileiro de Sementes (CBSementes), ocorrido de 25 a 28 de agosto, em Foz do Iguaçu (PR). Para o especialista, as grandes transformações tecnológicas sempre provocaram mudanças no mercado. A diferença, agora, está na velocidade com que elas acontecem.
“Você não vai ser substituído pela IA. Você vai ser substituído por alguém que usa melhor a IA que você”, destacou.
Na avaliação do palestrante, a maioria dos trabalhadores terá condições de se adaptar à nova realidade. O desafio estará na atualização das competências profissionais. Dados apresentados pelo Fórum Econômico Mundial apontam que, até 2030, o saldo global poderá ser positivo em 78 milhões de empregos, embora as habilidades exigidas pelo mercado devam mudar significativamente.
A estimativa é de que cerca de 40% das competências utilizadas atualmente sejam transformadas ou substituídas. Isso significa que o profissional precisará compreender quais habilidades possui, quais serão valorizadas no futuro e quais lacunas precisam ser preenchidas.
Outro alerta apresentado durante a palestra diz respeito ao excesso de dependência da tecnologia. O uso indiscriminado da inteligência artificial para tarefas que antes exigiam raciocínio próprio pode reduzir a autonomia mental das pessoas.
“Aprender a trabalhar com a IA é a grande questão”, afirmou o diretor, ressaltando que a tecnologia deve ser utilizada como ferramenta para ampliar o desempenho, e não para substituir completamente o pensamento humano.
Para o especialista, porém, o futuro não deve ser encarado com medo. A velocidade das transformações exige uma postura mais ativa por parte dos profissionais.
Em vez de tentar dominar todas as ferramentas disponíveis de uma só vez, a recomendação é começar, testar diferentes soluções de IA, fazer cursos e identificar de que maneira a tecnologia pode melhorar o desempenho no trabalho.
“Começa fazendo o curso. Aprende um pouco de cada, vê como você consegue aplicar e vai melhorando o teu desempenho”, orientou.
Nesse novo cenário, até mesmo os testes de perfil profissional ganham outra função. Se antes eram utilizados principalmente em processos de seleção, agora podem ajudar o trabalhador a identificar suas próprias competências, pontos fortes e lacunas de conhecimento.
“O diferencial estará na capacidade de adaptação, aprendizado e uso consciente da tecnologia”.